Quando entrei no curso de jornalismo da Federal me deparei com vários tipos de pessoas: pessoas que achavam que falar muito (e dizer nada) as tornava jornalistas, pessoas talentosas, humildes, brilhantes e presunçosas. Com várias delas tive a oportunidade de discutir a nossa postura em relaçao ao mercado de trabalho. Depois de algum tempo percebi que opiniões se dividem em covardia, conivência e resistência.A covardia é logo defendida por aquelas pessoas que rapidamente se encantam com os professores "nobres", cujo trabalho consiste em desistir da labuta jornalistíca e se ocupar em criticar ( sob um gostoso clima de ar condicionado) a atuação de jornalistas que têm que cumprir o imperativo ético a todo custo, afinal é moleza a tarefa de ser herói diariamente e ainda acumular problemas para pagar o supermercado, a educação do filho e enfrentar apressão de anunciantes pagadores de seu salário. Assim fica fácil exigir ética quando não se vive a realidade do mercado. Os apóstolos dos professores heróis logo se unem em coro: "eu vou ser pesquisador, não sucumbirei a esse torpe mercado".
Mas seguindo com a conivência, essa praga que aplaca aos encantados com o suposto glamour que tem o jornalismo. Esses querem garantir sua ascensão profissional e recorrem à simplista justificativa, o sistema é o vilão e contra ele não é possível lutar", para justificar deslizes condenáveis mas perdoáveis, afinal os fins não justificam os meios ?
Em uma outra extremidade se situam os resistentes. Esses reconhecem os limites e obstáculos à atividade jornalística, querem como os coniventes trabalharem dentro dos grandes meios de comunicação, não pelo puro prestígio, mas justamente para poder ser uma voz dissonante do silencio obsequioso que se alastra nas redações de jornalistas que abrem mão de seus princípios em nome de uma chance de ser promovido.
Insisto que precisamos estar nos grandes meios de comunicação, porque são eles os mediadores da realidade e construtores da memória coletiva. Por isso torço para que meus colegas covardes abandonem a utopia em nome da construção de uma realidade concreta. E que se juntem aos resistentes para que, se não conseguirem encorajar os coniventes a mudarem de comportamento, pelo menos tornem mais audível o coro da resistência jornalística.
Por Édipo de Queiroz Santiago
Texto incrível,Édipo!!!
ResponderExcluirBela metáfora(imagem dos olhos em três estágios),belo nome pra um blog.O que só me convence a nunca deixar de bordar!!
Abraço,criatura!